Eduardo Martins
Existe uma tradição na fotografia brasileira que nasce do olhar atento — aquele que enxerga o que o hábito já não percebe. Pierre Verger, ao se estabelecer no Brasil em 1946, construiu um dos mais importantes registros visuais da cultura brasileira, especialmente da Bahia, não como visitante, mas como alguém que decidiu habitar o que fotografava. Sua força estava na permanência.
Eduardo Martins dialoga com essa herança não por repetição estética, mas por método. Fotografar, para ele, é um exercício de atenção prolongada. Sua produção nasce da observação paciente da paisagem, do gesto e do cotidiano brasileiro — elementos que revelam profundidade apenas quando vistos sem pressa. Há contenção onde poderia haver espetáculo; há estrutura onde poderia haver excesso.
Toda sua produção é realizada em preto e branco. A escolha não é decorativa, mas estrutural. Ao retirar a cor, Eduardo Martins concentra a imagem na forma, na luz, na textura e na construção espacial. O que permanece é a relação entre presença humana e paisagem, entre silêncio e intensidade. Sua fotografia não dramatiza — ela organiza o olhar.